[τετραφάρμακος] que dizia:
1) Não há nada a temer quanto aos deuses;
2) Não há necessidade de temer a morte;
3) A Felicidade é possível;
4) Podemos escapar à dor."
Como biólogo e ateu, quero executar esta tentativa in vitro, pelas rédeas da razão e da ciência.
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O aparente paradoxo acima merece explicação.
Quando digo que não é factível, mas mesmo assim o farei, o que tenho em mente é que não me esforçarei diretamente em convencer ninguém de que deuses não devem ser temidos.
Muitos sistemas de crença trouxeram justamente o contrário do que propunham ao terem a preocupação ávida de tentar mudar atitudes e pensamentos. Muito mal brotou da preocupação excessiva em estabelecer padrões pétreos de bem.
Me interesso apenas por conhecer, questionar, e argumentar. O que derivar disso, acredito, é que vai insuflar em mim e nos outros os princípios do Tetrapharmakos. Em buscar a amoralidade científica e tentar trazê-la para a Filosofia, para que nossas conclusões não sejam contaminadas por nossos desejos e nosso modelo de mundo não tenha cheiro de esperança ingênua ou desespero, podemos nos deparar eventualmente com uma resignação sábia para com a indiferença do Universo, uma contemplação vivaz da Natureza sem qualquer subserviência à sua força, apenas respeito.
A figura de Epicuro inspira uma atitude mental sã, de um ser humano que desperta e se vê como um simulacro racional; que vê a Natureza não como mãe bondosa, nem como madrasta má, mas como um berço inerte ao mesmo tempo confortável e desconfortável. E ainda assim, uma mente perspicaz, que usa de múltiplas hipóteses e intuição probabilística para explicar fenômenos e impressões, que tem uma atitude empática para com outras mentes, e que expurga a trivialidade do dia-a-dia dando lugar a uma sucessão de espetáculos.
Esta atitude filosófica, encontrada como subproduto de um modo de pensar e não como um santo graal digno de sede sôfrega, é que permite a libertação do temor da morte e dos deuses, e uma nova forma de suportar a dor e desfrutar da felicidade - esta também um subproduto, não uma jóia cobiçada.







1 comentários:
Pronto, terminei de ler seus textos de 2007.
:D
Ótimos textos, sem dúvidas. Parabéns pela atitude!
Abraços.
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