terça-feira, 1 de julho de 2014

Entre politicamente corretos e incorretos: ética do humor

“Assim como piadas que ativam estereótipos não parecem ser sempre uma expressão de defeito naqueles que apreciam essas piadas, piadas sobre a feiúra ou a deficiência, ou sobre violência, estupro ou morte, não parecem vir sempre da insensibilidade ou crueldade na pessoa que conta ou que aprecia tais piadas. Tais vícios podem explicar por que algumas pessoas gostam de piadas desse tipo, mas para outras a apreciação de tais piadas é explicada de outras formas. Para algumas pessoas vem de traços de caráter opostos. É precisamente por causa de suas senbilidades e ansiedades sobre os sofrimentos e infortúnios que buscam alívio na jovialidade a respeito desses assuntos sérios. Pense, por exemplo, no velho que diz “quando acordo de manhã, a primeira coisa que eu faço é esticar os braços. Se não bater em madeira, eu levanto”. Tal gracejo não indica que o velho considera sua morte um assunto trivial. Em vez disso, é sua ansiedade sobre a morte (e enterro) que dá origem a seu humor. Enquanto este é um caso de humor autodirecionado, não há razão para pensar que algo similar não ocorra às vezes quando as pessoas brincam sobre as tragédias que acometem outros. Tais tragédias podem nos causar ansiedade, e o humor é uma forma de lidarmos com elas.

(…) Muitas pessoas reconhecem que o contexto é crucial para determinar quando uma piada expressa um defeito no contador da piada, mas uma opinião comum sobre a ética do humor tende a simplificar demais as considerações de contexto. Por exemplo, frequentemente se pensa que piadas sobre “negros”, judeus, mulheres, poloneses ou deficientes, por exemplo, são moralmente contaminadas ao menos que sejam contadas por membros do grupo alvo da piada. Alguns vão ao ponto de dizer que ao menos que quem conta a piada seja membro do grupo alvo, contar a piada é errado. Essa opinião é correta no sentido de afirmar que a identidade de quem conta a piada é relevante para uma avaliação moral de um dado ato de contar piada. Dependendo de quem conta uma piada, a piada é ou não é uma expressão de defeito de quem a conta. Entretanto, onde a opinião erra é ao alegar que apenas membros do grupo podem contar a piada sem (a) a piada ser uma expressão de uma atitude defeituosa ou (b) a piada ser vista como uma expressão de tal atitude.

No entanto, nenhuma dessas suposições se sustenta. Primeiro, é possível que membros do grupo compartilhem de atitudes defeituosas sobre o grupo. Não é incomum que pessoas internalizem preconceitos ou outras atitudes negativas para com o grupo do qual são membros. Quando tais membros de um grupo contam piadas sobre seu grupo, bem podem estar exibindo as mesmas atitudes que pessoas preconceituosas fora do grupo. Se uma piada é moralmente problemática porque expressa algum defeito em quem a conta, então o contar de uma piada sobre “negros”, por exemplo, é errado se a pessoa que a conta for “negra” e compartilhar desse defeito.

Em segundo lugar, por causa desse fenômeno nós não podemos assumir que membros de um grupo não serão vistos (ao menos por aqueles com uma opinião mais nuançada sobre a psicologia humana) como expressando as atitudes problemáticas.

Em terceiro lugar, há situações nas quais podemos ter confiança que quem conta a piada não compartilha das atitudes negativas mesmo que ele ou ela não seja um membro do grupo sobre o qual a piada está sendo contada. Às vezes conhecemos alguém suficientemente – ou sabemos que aqueles para quem contamos uma piada nos conhecem o suficiente – de modo que o contar da piada não será visto como uma expressão de uma atitude maliciosa.

Assim, enquanto a identidade da pessoa que está oferecendo um pouco de humor é claramente uma consideração relevante de contexto, esta não deve ser reduzida ao princípio bruto de que todos os membros ou apenas membros de um grupo podem contar piadas sobre ele.”

___ 

Excertos de Benatar, D. Levando (ética do) humor a sério, mas não a sério demais. Journal of Practical Ethics. Oxford, 2014. Tradução livre. Disponível em inglês em: http://genetici.st/humourethics

Veja também algumas referências em pesquisa empírica com humor depreciativo em http://lihs.org.br/humordepreciativo

quarta-feira, 18 de junho de 2014

O curioso caso de quando o Olavo de Carvalho concordou com a esquerda

Em tempos de renovado espaço na Folha de São Paulo, a última coisa que Olavão quer que nós lembremos é que ele já concordou - e muito - com certa parte da esquerda. Na verdade, ele continua concordando entusiasticamente, como veremos. A história é bem conhecida em círculos intelectuais, e merece mais divulgação para a população em geral.

No fim da década de 1990, um movimento mais ou menos difuso de ideias, chamado de "pós-modernismo", estava em seu ápice. As ideias mais comuns veiculadas por esse movimento não são muito novas - por exemplo, relativismo epistemológico, relativismo moral, redução de problemas intelectuais a quedas de braço de interesses cegos (políticos, pessoais, étnicos, econômicos) em detrimento da confiança iluminista em verdade, objetividade, imparcialidade etc. Evidentemente, para abraçar as últimas não é necessário ser cego para com vieses. No entanto, ao desistir totalmente delas, o pós-modernismo viu-se dando espaço para a aceitação de visões acriticamente pessimistas das capacidades humanas de raciocínio integrativo e ceticismo crítico (em oposição à dúvida teimosa sobre tudo conhecida como ceticismo pirrônico). Até algumas pessoas que não se encaixam totalmente na definição de "pós-moderno", como Michel Foucault, acabaram caindo em algumas de suas armadilhas - notoriamente, Foucault acabou apoiando a "revolução" dos aiatolás no Irã, e é difícil disfarçar que isso foi por relativismo cultural (que o que é certo ou errado moralmente depende totalmente da cultura em que estamos). O pós-modernismo, se não nasceu totalmente da esquerda, foi alimentado entusiasticamente por seus seios fartos.

Foi em resposta a esse modismo da sandice que Alan Sokal, um físico, escreveu um texto no estilo obscuro amado pelos pós-modernos, para ser publicado na revista "Social Text". O texto abusava de termos científicos, besuntava afirmações loucas com termos da mecânica quântica e termos da moda usados e abusados na época e até hoje ("hermenêutica", por exemplo, e "semiótica", que o filósofo John Searle diz - provocando - que nem quem a usa como nome de sua própria profissão sabe direito do que ela trata). A revista aceitou o artigo embusteiro com louvor suficiente de publicá-lo num volume especial sobre ciência. Seguiu-se um chacoalhar raramente visto antes na torre de marfim. Para quem gosta de ciência criticamente (ou seja, sem cientificismo), o artigo falso de Sokal foi um ponto de inflexão para conscientizar a intelectualidade da importância de uma volta aos valores de origem (da própria intelectualidade institucionalizada). O evento, conhecido como "Sokal Hoax", foi seguido pela publicação do livro "Imposturas Intelectuais", pelo próprio Sokal em parceria com Jean Bricmont.

Importantemente, o episódio foi precedido pelo alerta de um livro de Paul Gross e Norman Levitt, cujo título, e especialmente subtítulo, dizem tudo: "Higher Superstition: The Academic Left and Its Quarrels with Science" [Superstição Superior: A Esquerda Acadêmica e suas Brigas com a Ciência].

Onde entra Olavo de Carvalho nisso tudo? Ele mesmo um exímio produtor de prosa floreada porém obscura, obscura porém floreada, que seus seguidores se iludem achando que é filosofia, foi um dos primeiros a atacar a defesa de Sokal da racionalidade filosófica clássica e sua filha, a ciência. Não à toa, Olavo é famoso por suas diatribes sobre as teorias de Newton e Darwin, e, é claro, pela frase filosófica "combustível fóssil é o cu da tua mãe".

O maravilhoso espetáculo de Olavão se juntando a acadêmicos de esquerda no linchamento ao pensamento crítico pode ser lido no próprio site do Sokal: http://www.physics.nyu.edu/sokal/folha.html

A lição a levar para casa é: em todo o seu mundo maniqueísta de esquerda versus direita, comunistas versus capitalistas, Olavo de Carvalho não é sincero quanto ao seu ódio à esquerda. Quando é para atacar ciência e filosofia de fato (que ele nunca praticou na vida, sendo no máximo um bom leitor de Aristóteles), Olavo ama a esquerda de paixão. A beija, a abraça, e fornica com ela.

Post Scriptum


Algumas pessoas protestaram que eu não interpretei corretamente a resenha do Olavo de Carvalho nem levei em consideração supostos elogios que ele fez à empreitada do Sokal. Pois bem, vamos deixar algumas coisas mais claras.

Quando eu digo que Olavo concorda com a parte pós-moderna da esquerda, é no sentido de ele, tanto quanto a última, insistir em ataques às teorias científicas, de forma bem desinformada sobre o que essas teorias dizem (não está na resenha sobre a Sokal Hoax, mas está em vários textos dele); e no sentido de ele tentar reduzir discordâncias de cunho 'cognitivo' a conflitos de interesses entre esquerda e direita (está na resenha). Atacar ciência e reduzir problemas intelectuais a conflitos de interesses são duas marcas notáveis de pós-modernismo. Outra marca é um estilo obscuro de escrita que pós-modernos amam e Olavo de Carvalho pratica frequentemente (está na resenha também). Não tomem minha palavra a respeito: basta ler por exemplo o texto dele atacando a teoria da evolução pela seleção natural de Darwin (evidentemente, entender onde Olavo erra requer algum conhecimento da teoria de Darwin e da teoria moderna da evolução): http://www.olavodecarvalho.org/semana/090220dc.html

O fato de ele supostamente ter elogiado o que Sokal fez é claramente pelo único motivo de que ele pensa que Sokal destruiu intelectualmente a esquerda. Ou seja, tenta reduzir a esquerda acadêmica completamente aos erros de sua parte pós-moderna. Isso é tanto desonestidade intelectual, dada a insistência do próprio Sokal (que é de esquerda) que estava criticando erros de uma minoria na esquerda, quanto redução a conflito de interesses. Se o Olavo estiver certo, então Sokal teria de ser pós-moderno sem saber, já que Olavo quer reduzir tudo ao seu maniqueísmo de eixo esquerda-direita.

Ironicamente, pelos motivos expostos acima - volúpia de atacar a ciência sem entendê-la, redução de problemas que devem ser resolvidos no campo do argumento e da evidência a problemas de conflito de interesses políticos (ao tentar igualar esquerda intelectual a pós-modernismo), e obscurantismo de conceitos mal definidos e prosa embotada - quem é pós-moderno sem o saber é o Olavo.

sábado, 24 de maio de 2014

John Searle e a sede por uma ciência da consciência

Na última quinta-feira, fui a uma palestra do John Searle. Filósofo famoso pelo experimento mental do "quarto chinês" ( http://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_room ). Ele veio aqui para palestrar sobre a consciência, que ele acredita ser causada pelos processos neurobiológicos no cérebro (concordo), mas que não pode ser reduzida ontologicamente a isso (preciso entender melhor o que ele quer dizer com isso).

Em outras palavras, em se tratando de consciência e cérebro, ele dintingue reducionismo causal de reducionismo ontológico, crê no primeiro mas é cético quanto ao segundo. Comparou o estado da arte do conhecimento sobre a consciência com como se falava de seres vivos no século XVIII, e a controvérsia entre vitalistas e mecanicistas. Os vitalistas propunham que os seres vivos não poderiam ser apenas processos físico-químicos, e que tinham uma coisa chamada de "élan vital", irredutível à química. Como é dito em livros-texto, eventualmente os vitalistas perderam essa batalha, e hoje estamos perfeitamente seguros em dizer que os seres vivos são em sua intimidade um conjunto enorme de reações e processos bioquímicos, especialmente depois da descoberta do DNA e sua estrutura. No entanto, antes de muito apressadamente dar o troféu para mecanicistas, Searle sugeriu que o que entendemos como mecanismo hoje em dia nas ciências biológicas difere de forma importante do que era visto como tal naquela época, algo mais próximo do que Descartes entendia como "mecanismo".

E Descartes foi bem lembrado na palestra - para deixar claro que o dualismo não merece crédito e que "não devemos 'nos deitar' com Descartes". Mas outro inimigo da investigação da consciência é, diz Searle, a própria ortodoxia das neurociências, onde o fenômeno precisa ser investigado. Ele diz que há uma pressa em alegar coisas obscuras como "consciência é uma ilusão", ou tentativas gananciosas de reduzi-la a candidatos ruins como algoritmos ou programas de computador. A consciência é uma experiência subjetiva, mas alegar que por isso não pode ser investigada objetivamente é uma falácia da equivocação. Consciência é a experiência integral das nossas sensações, o que começa quando acordamos e cessa temporariamente quando voltamos a dormir. É falso alegar que está fora de um universo natural "causalmente fechado" - afinal, se eu comandar meus dedos a digitar esse texto, é isso o que eles fazem, então minha consciência está atuando causalmente no mundo. E é uma via contínua - se a consciência é causal sobre o mundo, ela é causada pelo mundo, especificamente por "essa coisa pegajosa aqui dentro", como disse Searle, apontando para o próprio crânio.

Foi uma palestra bem-humorada, alguma coisa no filósofo de cabelos brancos e camisa cor-de-rosa me lembrou Al Pacino. Mas o rigor intelectual não sofreu na mão do humor: quando uma curiosa da plateia perguntou sobre a "linguagem causal" que ele usou, ele disse algo como "fui impetuoso nesta palestra, mas admito que há ambiguidades que atropelei".

Searle me parece alguém com uma curiosidade sedenta para saber o que é a consciência em mais detalhe. É uma prova viva de que as barreiras entre ciência e filosofia são artificiais, e que frequentemente os cientistas são a parte mais cabeça-dura dessa cerca artificial. Mas não deixa essa curiosidade sedenta baixar sua guarda com o rigor intelectual que um problema complexo como esse demanda.

O que mais me fez pensar no Brasil foi uma coisa que ele disse en passant. (A citação a seguir é fidedigna ao que foi dito na palestra, mas não é verbatim.)

"É um constrangimento para a comunidade intelectual que o behaviorismo tenha durado tanto tempo. É claro que uma experiência não pode ser reduzida ao comportamento que acontece em resposta à experiência. Eu posso botar a mão no estômago e fazer uma careta convincente, e reproduzir todos os sinais comportamentais de estar sentindo dor, mesmo não sentindo. E uma pessoa sem sinais comportamentais de dor pode estar sentindo dor. Eu achei que poderíamos começar a investigar a consciência tomando uma parte dela, como a experiência consciente da dor. Foi só começar a ler as pesquisas sobre dor para notar como é uma coisa muito complicada, e que pode haver dor que está abaixo do limiar da consciência. Por coisas assim investigar honestamente a consciência é tão importante - saber sobre a consciência de seus pacientes é algo que preocupa pessoas da comunidade médica ao redor do mundo. Hoje drogamos as pessoas quase cegamente para resolver coisas como a depressão. A verdade é que mal sabemos o que estamos fazendo, porque somos ainda muito ignorantes sobre a consciência e a mente".

Então, em vez de começar a entender a consciência por uma coisa tão complicada quanto a dor, Searle sugere que comecemos por algo aparentemente mais simples, como a sede (disse enquanto bebia seu copo d'água). É inspirador ver um investigador sênior tão incansavelmente sedento por saber mais.

Assuntos

homofobia ética Homossexualidade filosofia ciência Feminismo Genética moral política Humanismo Secular Silas Malafaia aborto Estado laico Genética do Comportamento misoginia preconceito Direitos LGBT Ditadura Ditadura Militar Orientação Sexual criacionismo cristianismo descriminalização do aborto machismo Bioética Charles Darwin David Benatar Democracia Gênero Humanismo Igreja Católica Laicismo Liberdade Miguel Nicolelis Olavo de Carvalho Papa Pseudociência Pós-modernismo ateísmo catolicismo curiosidade discriminação entrevista evolução homeopatia identidade de gênero legalização do aborto neutralidade política da ciência psicologia evolucionista psicologia evolutiva racionalismo racismo risco moral sexismo sexo transexualidade transfobia veganismo vegetarianismo vieses implícitos viés implícito 10:23 1964 40 anos da morte de Bertrand Russell Academicismo Agnosticismo Alan Turing Angelica Beate Winter Boldt Anticiência BBB Bahia Behaviorismo Bolsonaro Bule Voador Censura Charlie Brown Jr. Chorão Ciência da Computação Comportamento Consciência Consensos Cura Gay Cérebro Código Penal Desconstrucionismo Difamações Divulgação Científica Dorothy Sayers Epicureus Epicurismo Epicuristas Epicuro Epicuro de Samos Fabio Marton Família Fetsi Geneticista Mirim Getúlio Vargas Golpe Militar Golpe de 1964 Jair Bolsonaro Janet Radcliffe Richards Jango Jennifer Saul John Searle Jornada Mundial da Juventude José Fortunati LiHS Lula Manual de Bioética para jovens Marcell Moraes Marco Feliciano Marcos Eberlin Marina Silva Mato Grosso Modelos de família Muito além do nosso eu Narrativas Neurociências Oswaldo Porchat PDT PV Partido Rede Partido Verde Partidos Pedro Taques Polícia Polícia Militar Porto Alegre Prisão Rachel Sheherazade Rede Rede Globo Rede Sustentabilidade Resenha crítica Revista Veja Rodentia Rodrigo Constantino Rosacruz SBG SUS Salvador Secretaria de Segurança Pública Segundo Sexismo Sociedade Brasileira de Genética Stephen Fry Susan Haack São Paulo Sísifo Tabula Rasa Teoria Queer The Guardian Tortura Toxoplasma USP Vaticano Veja alquimia amor amor romântico argumentação ataques atividade cerebral atropelamento bairrismo bertrand biologia brasil candomblé carne vermelha ceticismo chorumela cientificismo comunismo conhecimento consumo de carne crocopato crítica debate descriminalização determinismo cultural dia dos namorados direitos animais discriminação injusta discriminações injustas doidos educação no trânsito empatia estupro etnocentrismo eugenia existência de Deus extremismo extremistas fanatismo fanáticos feto filosófica flatulências fundamentalismo fundamentalistas futebol gay gays gaúchos heidegger heterofobia humanidade humor humor depreciativo laicidade leis liberdade de expressão lésbica lésbicas macroevolução malucos manny martin mediocridade intelectual memória minorias misandria mulheres nietzsche onivoria orgulho branco orixás panteísmo papeis de gênero pedofilia pensamento crítico politeísmo politicamente correto politicamente incorreto preconceitos provincianismo reforma do Código Penal religião religiões de matriz africana reorientação reversão sexual rio grande do sul rosacrucianismo russell sacrifícios ritualísticos saudade saudades senado senador suicídio teísmo toxoplasmose trabalhismo trangeneridade umbanda variação normal variação patológica xingando muito no twitter Ímpio - o evangelho de um ateu: memórias ética do humor
Related Posts with Thumbnails